Se tem uma coisa que me irrita é gente que veste carapuça. Com tudo. Quem me conhece sabe bem que eu não tenho problema em expor minha vida no Twitter ou no Facebook, mesmo que me isso me cause dor de cabeça de vez em quando. Não acho que sou mal interpretada com tanta frequência assim, porque tenho plena consciência do quanto posso ser maldosa com algumas pessoas. Me surpreende é que quem “nunca viu nada no meu Twitter nem se interessa em ver” resolva, de repente, tirar satisfação comigo por algo que eu coloquei lá. A culpa não é sua, até te entendo. Já coloquei por lá uma coisa ou outra tendo você como referência. Coisas que diria pra você, de boa, se você se interessasse em escutar. Algumas até carinhosas, é verdade. Devo ter muitas coisas para te dizer.
Você não é o único que não entende que o que escrevo não tem, necessariamente, ligação com os meus relacionamentos amorosos ou tentativas fracassadas deles. Já tive namorado, marido, amigos e conhecidos revoltadinhos com um monte de coisa que coloco nos meus perfis nas redes sociais. Preste atenção em uma coisa: são MEUS perfis, para MEUS amigos (mesmo que os comentários e brincadeiras de quem nunca me viu também sejam bem-vindos). Compartilho o que está lá, mas quem comanda o que escrevo, as fotos que divulgo ou vídeos que publico ainda sou eu (se alguém resolver me pagar, talvez eu mude o que está nas minhas redes sociais).
Não, eu não quero parecer legal nem divertida na internet. Saio escrevendo bobeiras aleatórias, que surgem na cabeça de repente. É um pouco de mim, não representa o que sou o tempo todo. E muitas coisas são escritas de cabeça quente ou quando tô meio carente. Acho que todo mundo é meio assim de vez em quando. Vívian, que mora comigo, já me ouviu falar tantos absurdos que se fosse levar a sério ela acabaria enlouquecendo. Mas ela ri, acha graça em coisas meio irritantes, meio preconceituosas. Sei que falo umas coisas com um tom meio agressivo (minha intolerância vez ou outra me domina) só que ela sabe que a amo e tudo sempre fica bem entre a gente.
Outras pessoas que conheci através do Twitter até se decepcionaram: “ué, a sua vida não é como você faz parecer”. Não, não sou tão mal amada. Aliás, tenho uma família super bem estruturada e amigos fiéis. Também não sou engraçadona o tempo todo e não vivo na pegação (por mais que brinque com os moços do Twitter o tempo inteiro). Ah, minha vida não é pautada em homens (mesmo que eu goste bastante deles) e acredito que sou uma boa amiga (meio chata, meio superprotetora, mas sempre fico ao lado de quem gosto quando isso é recíproco).
Minha cabeça é fechada. Bem fechada. Gosto das coisas certinhas, tudo nos trilhos, sob meu controle. Não sou tão manipuladora assim, acho que é só uma coisa meio metódica para evitar frustrações. Não saio pra balada simplesmente porque não gosto. De vez em quando faço escolhas muito erradas e me mantenho nelas por comodidade ou simplesmente para não dar o braço a torcer. Foi assim quando morei com Ricardo, por exemplo. Um fracasso desde o início, um erro persistente pela esperança de uma mudança que nunca ia acontecer. De vez em quando a gente insiste nisso de achar que as pessoas vão mudar, né? Mas, na essência de tudo, elas não mudam. Eu não vou mudar em nada do que eu faça só por um pedido seu. Do mesmo modo que você não mudaria por mim. Espero que entenda.
Dessa vez escrevi para você, que vestiu a carapuça na hora errada. Mas poderia ter escrito pra qualquer pessoa que eu gosto e não entende um monte de coisa. Vou ser bem clichê e falar que nem tudo é como parece. Muito menos nesse caso. Até porque você fez uma escolha: a de não saber nada a meu respeito. Meu tumblr foi feito, como diz o título de um livro que gosto (sim, eu gosto de ler!), “para alívio dos impulsos insuportáveis”. E meu impulso de hoje é escrever para você. Eu sei que você vai ler. Se um dia quiser me conhecer de verdade, tudo bem. É só chamar pra sair (sem medo de esbarrar em conhecidos) ou ir lá em casa nem que seja pra ver novela tomando cerveja comigo e com a Vivían. Conviver com uma pessoa como ela realmente é a única coisa que vai te dar o direito de achar que sabe algo a respeito dela. E o que vivemos juntos não foi suficiente.