para alivio dos impulsos.

De mudança.

O teu olhar não é mais o mesmo. Lembra de quando você deitava no meu colo emendando conversas, moldando histórias como se fossem reais? No acalanto dos meus braços, tua personalidade difícil dava lugar a uma alma leve, sutil. Eu sorria, querendo ficar presa para sempre naqueles instantes. Agora convivo com a certeza que tudo era uma grande mentira. A farsa criada pelos teus olhos para enganar os meus. Talvez eu já soubesse, antes de tudo, que seria assim. A minha vontade de te dizer coisas bonitas fugiu com o teu antigo olhar. Esse olhar de hoje, visivelmente triste mas essencialmente tão cruel, eu desconheço. 


A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração que nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado


Doces mentiras

Sempre sou a outra, mesmo que metaforicamente. Nunca sou a protagonista da minha própria história, já que só encontro caras ligados eternamente aos relacionamentos passados ou com uma rotina sem lugar para algo novo. Não sei dividir o meu espaço com vultos, sombras do que não deu certo que insistem em destruir as ainda precárias estruturas de um amor em construção. Crio doces mentiras para me consolar, acreditando que você é uma pessoa diferente. Mas sou a outra em todos os aspectos da tua vida. Sou aquela que você procura quando está carente, quando não pode encontrar os amigos, quando a noite está chata. Sou a moça legal, meio bonitinha e até engraçada que você gosta de estar junto, mas morre de medo de se envolver. Nos meus delírios, posso ser o que você espera de alguém. Aí percebo o quanto estou sendo boba em querer me enquadrar nos teus desejos, um homem que nem ao menos confia em mim. O teu jeito e as tuas atitudes me abalam, mesmo que aparentemente eu seja a pessoa mais confiante do mundo. Eu sei que tenho que mudar. Pensar mais em mim e menos em você. As doces mentiras que criei não me iludem mais. 


Dessa vez é pra você

Se tem uma coisa que me irrita é gente que veste carapuça. Com tudo. Quem me conhece sabe bem que eu não tenho problema em expor minha vida no Twitter ou no Facebook, mesmo que me isso me cause dor de cabeça de vez em quando. Não acho que sou mal interpretada com tanta frequência assim, porque tenho plena consciência do quanto posso ser maldosa com algumas pessoas. Me surpreende é que quem “nunca viu nada no meu Twitter nem se interessa em ver” resolva, de repente, tirar satisfação comigo por algo que eu coloquei lá. A culpa não é sua, até te entendo. Já coloquei por lá uma coisa ou outra tendo você como referência. Coisas que diria pra você, de boa, se você se interessasse em escutar. Algumas até carinhosas, é verdade. Devo ter muitas coisas para te dizer. 
Você não é o único que não entende que o que escrevo não tem, necessariamente, ligação com os meus relacionamentos amorosos ou tentativas fracassadas deles. Já tive namorado, marido, amigos e conhecidos revoltadinhos com um monte de coisa que coloco nos meus perfis nas redes sociais. Preste atenção em uma coisa: são MEUS perfis, para MEUS amigos (mesmo que os comentários e brincadeiras de quem nunca me viu também sejam bem-vindos). Compartilho o que está lá, mas quem comanda o que escrevo, as fotos que divulgo ou vídeos que publico ainda sou eu (se alguém resolver me pagar, talvez eu mude o que está nas minhas redes sociais). 
Não, eu não quero parecer legal nem divertida na internet. Saio escrevendo bobeiras aleatórias, que surgem na cabeça de repente. É um pouco de mim, não representa o que sou o tempo todo. E muitas coisas são escritas de cabeça quente ou quando tô meio carente. Acho que todo mundo é meio assim de vez em quando. Vívian, que mora comigo, já me ouviu falar tantos absurdos que se fosse levar a sério ela acabaria enlouquecendo. Mas ela ri, acha graça em coisas meio irritantes, meio preconceituosas. Sei que falo umas coisas com um tom meio agressivo (minha intolerância vez ou outra me domina) só que ela sabe que a amo e tudo sempre fica bem entre a gente. 
Outras pessoas que conheci através do Twitter até se decepcionaram: “ué, a sua vida não é como você faz parecer”. Não, não sou tão mal amada. Aliás, tenho uma família super bem estruturada e amigos fiéis. Também não sou engraçadona o tempo todo e não vivo na pegação (por mais que brinque com os moços do Twitter o tempo inteiro). Ah, minha vida não é pautada em homens (mesmo que eu goste bastante deles) e acredito que sou uma boa amiga (meio chata, meio superprotetora, mas sempre fico ao lado de quem gosto quando isso é recíproco).
Minha cabeça é fechada. Bem fechada. Gosto das coisas certinhas, tudo nos trilhos, sob meu controle. Não sou tão manipuladora assim, acho que é só uma coisa meio metódica para evitar frustrações. Não saio pra balada simplesmente porque não gosto. De vez em quando faço escolhas muito erradas e me mantenho nelas por comodidade ou simplesmente para não dar o braço a torcer. Foi assim quando morei com Ricardo, por exemplo. Um fracasso desde o início, um erro persistente pela esperança de uma mudança que nunca ia acontecer. De vez em quando a gente insiste nisso de achar que as pessoas vão mudar, né? Mas, na essência de tudo, elas não mudam. Eu não vou mudar em nada do que eu faça só por um pedido seu. Do mesmo modo que você não mudaria por mim. Espero que entenda. 
Dessa vez escrevi para você, que vestiu a carapuça na hora errada. Mas poderia ter escrito pra qualquer pessoa que eu gosto e não entende um monte de coisa. Vou ser bem clichê e falar que nem tudo é como parece. Muito menos nesse caso. Até porque você fez uma escolha: a de não saber nada a meu respeito. Meu tumblr foi feito, como diz o título de um livro que gosto (sim, eu gosto de ler!), “para alívio dos impulsos insuportáveis”. E meu impulso de hoje é escrever para você. Eu sei que você vai ler. Se um dia quiser me conhecer de verdade, tudo bem. É só chamar pra sair (sem medo de esbarrar em conhecidos) ou ir lá em casa nem que seja pra ver novela tomando cerveja comigo e com a Vivían. Conviver com uma pessoa como ela realmente é a única coisa que vai te dar o direito de achar que sabe algo a respeito dela. E o que vivemos juntos não foi suficiente.  




Carta

Pensei em te levar para minha casa. Te chamar para conversar, contar a verdade. Explicar para você todo esse sentimento, que de maneira abrupta invadiu a minha vida e perturbou a calmaria a qual eu estava exposta. Era para ser simples. O amor é simples, leve, envolvente. A gente sempre complica, dessa vez não foi diferente. Você ainda pode fugir desse teu medo, da negação, dos passos em falso. Eu não quero te prender. Desejo apenas que aprenda a lidar com o amor. Livre, mas ao meu lado.



Pode ser um lapso do tempo
E a partir desse momento
Acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia
E vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida
Já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido
Vira o ponto de visão

Bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti




Pode acabar-se o mundo… Vou brincar meu carnaval!



Only an open heart allows you to float freely across the Universe


Entrei
como estrondo eu entrei
baby, estrago eu sei que causei
visível, tocável e irreal

Brinquei
com tua alma e rasguei
baby, teu corpo eu mastiguei

Lembra de quando eu vim para cá, a primeira vez?
virei tua vida de cabeça para baixo
e você bem mansinho
porque amor quente que nem o meu
você nunca teve nessa vida
desse jeito não
é, então vem cá
vem sentir a minha pele em brasa
e o gosto forte da minha boca
faz tudo como se fosse a última vez
faz porque hoje eu vou embora


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